“É urgente.” — Como criei a identidade da E7 Digital em menos de uma semana
- Andrea Argenton
- 9 de abr.
- 3 min de leitura
Todo designer conhece esse cliente: aquele que aparece com a energia de quem acabou de lembrar que tem uma reunião em cinco minutos e precisa de uma identidade visual completa pra ontem.
Foi assim que começou o projeto da E7 Digital.

A empresa que já existia — e a que estava nascendo
A E7 Distribuidora já tinha seu espaço no mercado. A empresa atua como ponte entre grandes marcas de tecnologia e o varejo brasileiro — eletrônicos, gadgets, produtos que circulam no centro do consumo contemporâneo. Eu já havia criado o logo da distribuidora e, quando veio o convite para desenvolver a identidade da E7 Digital, a nova frente de e-commerce da marca, já existia uma relação de confiança construída.
O desafio era claro: a nova identidade não podia nascer do zero. Ela precisava conversar com a marca original e, ao mesmo tempo, sinalizar uma nova fase — a entrada da empresa no ambiente digital.
A pergunta que gerou tudo
Como se parece uma empresa fazendo a transição do físico para o digital?
A resposta veio rápido — e veio visualmente. Imaginei pixels se desprendendo de uma forma sólida. Como se a marca que já existia estivesse se dissolvendo em dados e renascendo conectada, acessível, online.
Foi daí que nasceu o conceito.
Cheguei a esboçar outras possibilidades, porque o processo pede isso. Mas nenhuma delas conseguiu competir com a primeira ideia. Quando isso acontece, eu sei: o logo já existe antes mesmo de virar vetor.
O símbolo E7 foi mantido como elemento central. Não por comodidade, mas por estratégia. Quem já conhecia a distribuidora não precisaria reaprender a marca. A continuidade preserva reconhecimento; a transformação comunica evolução.
Os pixels em dispersão passaram a representar essa virada para o digital. Os circuitos integrados, por sua vez, reforçaram a ideia de conexão, tecnologia e infraestrutura. Nada ali entrou como enfeite. Cada elemento precisava comunicar alguma coisa.
Do papel ao dossiê: menos de uma semana
A ideia chegou primeiro no papel. Comecei com lápis, esboçando o símbolo e anotando ao redor do desenho o raciocínio por trás de cada decisão — o que precisava permanecer, o que precisava evoluir e o que a nova marca deveria transmitir.
Com o conceito resolvido, a execução fluiu. Em seguida vieram os mockups — não como apresentação bonita, mas como argumento. Mostrar a marca funcionando na interface da loja, em aplicações corporativas, no vestuário e em ambientações físicas. Porque logo nenhum vive num fundo branco. Logo vive no mundo real.
Em menos de uma semana, o cliente recebeu o esboço conceitual, o logo finalizado, as aplicações e as opções de paleta em uma apresentação completa.

Por que esse vermelho, esse laranja, esse amarelo
Porque tecnologia não precisa ser fria.
O mercado de eletrônicos costuma recorrer a azuis, pretos e cinzas. É uma linguagem segura, mas previsível. A paleta quente da E7 Digital — do vermelho intenso ao amarelo vibrante, passando pelo laranja — cria energia, presença e diferenciação.
O gradiente também carrega movimento. O símbolo parece avançar, e era exatamente essa sensação que a marca precisava transmitir.
A versão em preto e branco veio para contextos mais sóbrios, como bordado, papelaria e documentos institucionais. Mesma identidade, outra temperatura.


O logo no mundo real
Nas aplicações, a marca confirmou o que o conceito já prometia.
Na camiseta esportiva, o símbolo manteve força mesmo em movimento e em grande escala. Na polo corporativa, a versão monocromática entregou discrição sem perder reconhecimento. No painel luminoso da recepção, pixels e circuitos ganharam profundidade com a iluminação. E na interface da loja online, o logo foi para o lugar onde precisava estar: no topo da experiência, cumprindo exatamente a função para a qual foi criado.


“É urgente” — parte dois
Entreguei. E aí veio o silêncio.
Todo designer conhece esse momento. O projeto era urgente, mas o retorno demorou o fim de semana inteiro. O que, aliás, faz sentido: uma nova marca não é uma decisão pequena. Ela vai representar a empresa por anos.
O retorno finalmente veio. A escolha foi a versão em gradiente quente. E o logo que não saía da minha cabeça desde o primeiro esboço hoje está no ar em uma operação real, com produtos reais e clientes reais.
É aí que o design de marca deixa de ser apresentação e passa a ser negócio.
Quando o conceito é certo, a marca sai do arquivo e entra no mundo.
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